29 de Abril de 2011 ♥

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

More than words.

Explicar o que sentimos é por vezes o nosso maior desafio. Suster a respiração como se mergulhasse num mar imenso é por vezes o meu único objectivo, a minha única opção para tentar esquecer tudo o que me rodeia. Respirar fundo vezes sem conta, faz com que centenas de lágrimas nunca antes derramadas, surjam agora simbolizando a maior das dores, o maior dos sufocos. Parecia tudo tão fácil ao início, tudo tão simples e sem qualquer tipo de consequências. Parece cada vez mais que o maior dos sorrisos nem sempre significa a maior das felicidades… Todos o usamos no nosso quotidiano, para tentar esconder o que mais nos corrói a alma, para obscurecer toda a aflição que em todos os momentos nos atinge como se fôssemos apedrejados. Sorrir é bom e é a única alternativa que temos quando o mundo desaba sobre nós. Também foi isso que fiz… criei uma máscara tão grande e infalível que nem mesmo os mais próximos conseguem ver o meu interior, eu não deixo. Não posso simplesmente deixar transparecer tudo o que sinto, quem iria compreender? Quem iria aceitar as minhas palavras, quando ninguém tem a mínima noção do quão enorme é a mágoa que guardo dentro de mim? É tão simples para quem não quer ver não é? Parece tudo tão encenado, tão exagerado, tão irrealista. Parece tudo um teatro, onde cada um conta a sua história e acrescenta mais um pouco para que assim o público os aceite. É tão sábia a pessoa que esconde o que sente, que se adapta ao sofrimento, que não vende a sua dor. Eu interpretava a vida da forma que quisesse, mas desisti assim que ela própria me proibiu de o fazer. Desisti de tentar encontrar a solução, quando todas elas foram extintas. A vida é irónica. Tiram-nos o que nos sustenta e nos motiva tão rapidamente, que nem tempo temos para nos habituar ao vácuo, à escuridão. É uma questão de tempo. De que nos vale planearmos o nosso futuro, quando não somos nós quem escolhemos o que se intromete nele, de um momento para o outro? De que vale acreditar em religião, quando esta só alimenta promessas? De que vale acreditar no nosso próprio eu se este perde toda a sua força perante tudo o que lhe impõem? É tudo tão injusto e tão complexo. Pai, tu estás aí, mas não me sentes, afastas-me a cada segundo datua e da minha vida. É duro olhar para ti e ver que não transmites qualquer sentimento, ver que os teus olhos estão fixos no vazio, sem transparecerem qualquer emoção. Mas eu amo-te e vou continuar a sussurrar à tua mente o quão bom és. Lutar contra o que mais nos magoa é monstruoso, desgastante e desmotiva-nos completamente. Ser a mesma pessoa de sempre é difícil e mesmo que a intenção de nos mantermos vivos seja boa, algo acabará sempre por nos matar psicologicamente e emocionalmente. Talvez as lágrimas se tornem tatuagens e as memórias traumas. Talvez.

Catarina Semedo
28-07-2011

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Sofii disse...

Tao triste, tao sentido.. tao verdadeiro.. estou sem palavras..